Cavalo-Marinho
Hippocampus é um peixe ósseo, da família Syngnathidae, conhecidos
pelo nome comum de cavalo marinho. Existem 32 espécies diferentes de
cavalos-marinhos nos mares de regiões de clima tropical e temperado, em
profundidades que variam de 8 a 45 metros. Todas as espécies são consideradas
vulneráveis por órgãos de proteção à natureza.
Os cavalos-marinhos caracterizam-se por terem uma cabeça alongada, com
filamentos que lembram a crina de um cavalo, e por exibirem mimetismo
( características que os confundem com um outro grupo de organismos) semelhante ao do camaleão, podendo mudar de cor
e mexer os olhos independentemente um do outro. Tem o corpo coberto de
placas ósseas, com anéis que embora sejam rijos, são também flexíveis. Uma
curiosidade peculiar, são os olhos. Tal como acontece nos camaleões, os olhos
dos cavalos marinhos movem-se de forma independente um do outro, dando-lhe
assim a possibilidade de um se concentrar na presa, e o outro no predador.
Nadam com o corpo na vertical, movimentando rapidamente as suas barbatanas, que vibram rapidamente
(até 35 vezes por segundo), embora este tipo de locomoção vertical o torne num
nadador lento – pode demorar vários minutos a conseguir nadar um metro de
distância. Algumas espécies podem ser confundidas com plantas marinhas, como
corais ou anémonas. Geralmente medem entre 15 e 18 centímetros, mas
podem medir desde 13 a 30 centímetros, dependendo da espécie, com peso
entre 50 e 100 gramas.
Todas as espécies de cavalos-marinhos estão em perigo de extinção. Uma das causas é pesca
predatória ( a pesca predatória retira do ambiente
aquático mais do que ele consegue repor, levando a consequências desastrosas ) e a destruição
de habitats. Outra causa é o captura frequente destes seres vivos para serem
usados como peça de decoração ou simplesmente serem criados num aquário.
Nome científico
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Os Hippocampus eram
seres fictícios da mitologia grega. As partes superiores de
seus corpos eram a de um cavalo, com crina , guelras e membranas
interdigitais nos supostos cascos, e suas partes inferiores eram a de um peixe
ou golfinho.
Hábitos alimentares
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Estas espécies são carnívoras, alimentam-se de
pequenos crustáceos, moluscos, vermes e plâncton, que são
sugados através de seus focinhos tubulares ( A boca encontra-se na
extremidade de um focinho tubular ). Como eles não tem o costume de irem
atrás de alimento, eles comem o que estiver a passar por eles. As caudas deles
são longas, o que permite que eles se agarrem às plantas submarinas enquanto se
alimentam.
Reprodução
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A reprodução dos cavalos-marinhos geralmente ocorre
na primavera.
Para acasalar, os cavalos marinhos machos deslocam-se para águas costeiras
e pouco profundas onde estabelecem o seu território, com cerca de um metro
quadrado cada. As fêmeas por sua vez vão-se deslocando de território em
território enquanto escolhem o “companheiro ideal” para acasalar. Para se reproduzirem,
as fêmeas dos cavalos-marinhos dão preferência ao macho de maior tamanho corporal..
Para que os machos consigam uma fêmea para se reproduzirem, eles também
precisam de a atrair fazendo uma dança do acasalamento.
A reprodução inicia-se quando os ovos da espécie são transferidos
da bolsa incubadora da fêmea para a do macho, no momento do acasalamento.
Os ovos, já na bolsa incubadora do macho, que se localiza na base de sua cauda,
são fertilizados por esperma que o próprio macho liberta lá dentro. À volta dos ovos,
vão-se formando pregas e protuberâncias, percorridas por uma rede de capilares,
que transportam o oxigénio e os nutrientes necessários para que os embriões se
possam desenvolver. Dois meses mais tarde, os ovos eclodem e o macho realiza violentas
contorções para expelir os filhotes, que estão dentro da sua bolsa
incubadora.
Os filhotes, quando nascem, são transparentes e medem menos de um
centímetro, mas vai dependendo da espécie. Eles sobem logo à superfície para
encher a sua bexiga natatória de ar ( órgão que auxilia os
peixes ósseos a manterem-se a determinada profundidade através do
controle da sua densidade relativamente à da água). Após nascerem, já
são totalmente independentes de seus pais, mesmo sendo frágeis. Um
cavalo-marinho macho geralmente gera 100 a 500 filhotes, dependendo da espécie.
Geralmente, quase 97% dos filhotes de cavalos-marinhos são mortos por
predadores naturais, que são, geralmente, peixes maiores.
Por que é que o cavalo-marinho é quem
engravida?
O cavalo-marinho macho e a fêmea dividem o trabalho da gestação, pois assim
o casal diminui pela metade o tempo para gerar os filhotes. A fêmea deposita os
óvulos na bolsa incubadora do macho e ele os fecunda e carrega. Durante o
período no qual o macho fica grávido, a fêmea está produzindo óvulos que serão
fecundados no próximo acasalamento.
Na medicina tradicional
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As populações de cavalos-marinhos estão a ser ameaçadas nos últimos anos
pela pesca excessiva e a destruição do seu habitat. As espécies de
cavalos-marinhos são usadas na medicina tradicional chinesa, e,
aproximadamente, 20 milhões são capturados a cada ano e vendidos para esta
finalidade. Cavalos-marinhos não são facilmente criados em cativeiro pois são
muito suscetíveis à doença, e acredita-se que
os "selvagens" têm melhores propriedades medicinais comparadas a
cavalos-marinhos de aquário. Os cavalos-marinhos são também utilizados como
medicamentos pelos indonésios,filipinos e muitos outros grupos étnicos.Importação e
exportação de cavalos-marinhos tem sido controlada pela CITES
( Convenção sobre o Comércio Internacional
de Espécies da Fauna e da Flora Selvagem Ameaçadas de Extinção ) desde 15 de maio de
2004. No entanto,a Indonésia, o Japão, a Noruega e a Coreia do
Sul decidiram optar por sair das regras comerciais estabelecidos pela
CITES. O problema pode aumentar pelo crescimento de comprimidos e cápsulas como
o método preferido de ingerir a medicação à base de cavalos-marinhos. Elas são
mais baratas e acessíveis do que os tradicionais. Os cavalos-marinhos devem ter
de um certo tamanho e qualidade antes de serem aceitas pelos praticantes da
medicina tradicional chinesa e consumidores. Hoje, quase um terço dos cavalos-marinhos
vendidos na China são pré-embalados, aumentando a pressão sobre as
espécies.
Curiosidades
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- · Antigamente, acreditava-se que o cavalo marinho era meio peixe, meio
cavalo. Aristóteles (384 – 322) a.C., foi o primeiro investigador de historia
natural a fazer uma pesquisa sobre o cavalo marinho;
- Apesar das semelhanças, os cavalos marinhos e os Dragões Marinhos pertencem
a géneros diferentes, embora façam parte da mesma família (Syngnathidae),
juntamente com os peixes-agulha;
- Os cavalos marinhos mais pequenos do mundo são apelidados de cavalos
marinhos pigmeus e a espécie mais conhecida de cavalo marinho pigmeu é a Hippocampus bargibanti, com apenas 13 milímetros de
comprimento (1,3 centímetros);
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O cavalo marinho tem poucos predadores naturais, pois é duro e indigesto;
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A única arma de defesa do cavalo marinho é a capacidade de se esconder
através do mimetismo;
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Consegue sugar comida até 3 centímetros de distância, puxando a água;
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O cavalo marinho não tem dentes nem estômago, a comida passa rapidamente
por todo o sistema digestivo e por esse motivo precisam de se alimentar
constantemente;
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A dança do macho para atrair as fêmeas pode durar até 8 horas, que inclui
girar em torno de si próprios, nadar lado a lado com as caudas unidas e mudar
as suas cores;
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Quando vai descansar, o cavalo marinho utiliza a cauda para se agarrar aos
corais, algas ou outras formações marinhas, evitando assim ser arrastado pelas
correntes.
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Existem 54 espécies reconhecidas de cavalos marinhos (género Hippocampus), nos quais destacamos o Hippocampus hippocampus, uma espécie oficialmente
protegida nos Açores, em Portugal e os Hippocampus reidi, Hippocampus erectus e Hippocampus zeostrae existentes no Brasil, sendo o
último mais pequeno e também mais raro.
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